As Igrejas Batistas e o Sustento Pastoral
![]() |
| Imagem gerada por IA |
“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.” (1 Coríntios 9.14)
Introdução
O fato que narro a seguir ocorreu quando eu ainda era bem jovem e iniciava meu curso de teologia. Eu era um dos membros fundadores de uma igreja cujo pastor já era aposentado. Isso foi na época do governo de José Sarney, quando o Brasil sofria com a hiperinflação. Para se ter ideia, o pico inflacionário atingiu cerca de 84% ao mês em março de 1990, já no final do mandato, com inflação acumulada em 12 meses em torno de 4.854% ao ano.
O salário perdia seu valor de compra tão rápido que quem o recebia pela manhã tinha que ir logo ao mercado para conseguir realizar a compra do mês, e as maquininhas de remarcação de preços trabalhavam sem parar. Para que houvesse, no final do mês, a reposição da inflação, o governo criou, durante o Plano Cruzado em 1986, o chamado “gatilho salarial”: sempre que a inflação acumulada atingisse ou ultrapassasse 20%, os salários eram automaticamente reajustados em pelo menos esse mesmo percentual (20%), sem necessidade de negociação imediata. A ideia era impedir que a renda do trabalhador fosse corroída entre um dissídio e outro; as diferenças adicionais ficariam para as negociações normais das categorias.
Nesse período, o pastor da igreja recebia a reposição salarial de sua aposentadoria, mas a igreja não lhe concedia nenhum reajuste da prebenda, que era fixa, de modo que, muitas vezes, o dízimo de sua aposentadoria era maior do que o que recebia como sustento ministerial.
Para pôr fim àquela injustiça, certa ocasião, eu propus em assembleia que a igreja oferecesse ao pastor o que estivesse au seu alcance, e que esse valor fosse atualizado mensalmente. Porém, um diácono se levantou e disse que isso era “secularizar a igreja”. Minha palavra foi vencida; afinal, eu era bem jovem e o diácono, bem vivido.
Durante meus 37 anos de ministério pastoral, as igrejas por onde passei, com exceção de uma, sempre reajustaram anualmente a minha prebenda. Elas foram justas comigo. Mas, infelizmente, ainda há aquelas que, por falta de visão, de amor ou por mero legalismo, não sustentam dignamente seus obreiros. Elas se esquecem de que a nossa justiça deve exceder a do mundo.
Sustentar dignamente o pastor não é “secularizar a igreja”, mas cumprir, em amor, um dever bíblico.
A Declaração Doutrinária da CBB e o sustento pastoral
Há muito a questão do sustento pastoral tem sido motivo de debates, tensões e, muitas vezes, incompreensões. Em muitos contextos, a igreja local vive o contraste entre o ideal bíblico e doutrinário — de que o ministro da Palavra deve viver do Evangelho e dedicar-se integralmente ao seu chamado — e a realidade concreta de recursos limitados, igrejas pequenas e situações em que o pastor precisa acumular atividades seculares para manter sua família. Não se trata apenas de um tema administrativo ou financeiro, mas de uma questão profundamente espiritual, ligada à obediência às Escrituras e à compreensão que a igreja tem de sua responsabilidade diante de Deus.
Os batistas da Convenção Batista Brasileira dão ao assunto tratamento claro. Ao abordar o “Ministério da Palavra”, a Declaração Doutrinária da CBB afirma que Deus chama e separa certos homens para o serviço distinto e singular do ministério da Palavra, e que o pregador do Evangelho “deve viver do Evangelho”, cabendo às igrejas a responsabilidade de cuidar e sustentar seus pastores de maneira adequada e digna. Essa afirmação não é um detalhe periférico, mas uma aplicação direta de textos como Mt 10.9–10, Lc 10.7, 1Co 9.13–14 e 1Tm 5.17–18, que expressam o princípio de que quem se dedica ao serviço da Palavra deve ser sustentado pela congregação que se beneficia desse ministério.
Ao lado da doutrina do “Ministério da Palavra”, a Declaração Doutrinária apresenta a doutrina da “Mordomia”, lembrando que Deus é o Criador e Dono de todas as coisas, que todas as bênçãos procedem dEle e que o crente é mordomo de tudo quanto recebe. Nessa perspectiva, dízimos e ofertas não são apenas práticas devocionais, mas o plano específico de Deus para o sustento da sua obra, incluindo o ministério pastoral, missões e beneficência. Assim, o sustento do pastor não é um favor opcional, nem uma concessão ocasional, mas parte da própria vocação da igreja como comunidade de mordomos fiéis.
A Bíblia e o sustento pastoral
A base bíblica para o sustento pastoral é ampla e coerente. No Antigo Testamento, Deus determina que os levitas, separados para o serviço religioso, não possuam herança de terra entre as tribos, mas sejam sustentados pelos dízimos e pelas ofertas do povo. Textos como Nm 18.21–24 e Dt 12.19, entre outros, estabelecem o princípio de que aqueles que servem no templo vivem daquilo que é consagrado ao Senhor. Em termos de estrutura, o Novo Testamento não reproduz exatamente o sistema levítico, mas conserva o princípio espiritual: quem se dedica ao Ministério da Palavra deve ser sustentado pela congregação.
No Novo Testamento, esse princípio aparece de maneira ainda mais explícita nas palavras de Jesus e nas orientações apostólicas. Cristo, ao enviar os seus discípulos, declara que “digno é o trabalhador do seu alimento” (Mt 10.10) e “digno é o obreiro de seu salário” (Lc 10.7), afirmando que aquele que serve na obra não precisa carregar, sozinho, o peso material de sua missão. Paulo, in 1 Coríntios 9, argumenta longamente em favor do direito de quem prega o Evangelho viver do Evangelho, comparando o ministro aos soldados, agricultores e pastores que usufruem do fruto de seu trabalho, e conclui que “assim ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho, que vivam do Evangelho” (v. 14). Passagens como Gálatas 6.6 e 1 Timóteo 5.17–18 reforçam, em linguagem clara, que quem é instruído na Palavra e quem governa bem a igreja deve ser honrado, inclusive materialmente, por essa tarefa.
Essa leitura bíblica é acolhida pelos batistas brasileiros em sua Declaração Doutrinária. Ao tratar do “Ministério da Palavra”, o documento vincula o chamado pastoral à necessidade de dedicação total e afirma que o pregador do Evangelho deve viver do Evangelho, indicando que o sustento é parte do reconhecimento que a igreja faz do chamado e da função do pastor. A doutrina da “Mordomia”, por sua vez, coloca o sustento pastoral dentro da responsabilidade de cada crente, que administra seus bens à luz da graça de Deus e contribui para a manutenção da obra e do ministério. Em conjunto, essas duas doutrinas formam a base teológica para uma compreensão madura e responsável do sustento pastoral na perspectiva batista.
O significado de “dupla honra”
Entre os textos mais citados nesse debate está 1 Timóteo 5.17–18, onde Paulo escreve: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina”, e em seguida cita a Escritura: “Não ligarás a boca ao boi que debulha” e “digno é o obreiro de seu salário”. Aqui, o apóstolo une duas dimensões de “honra”: o reconhecimento espiritual e o sustento material. O termo traduzido por “honra” pode indicar respeito e valor atribuído, o que inclui, no contexto, a ideia de provisão financeira.
Falar in “dupla honra” é, portanto, reconhecer que o pastor fiel — que governa bem e se dedica à Palavra e ao ensino — merece tanto elevada consideração da igreja quanto sustento justo e adequado. Não se trata de culto à personalidade ou de privilégios arbitrários, mas de reconhecer o peso do ministério e a necessidade de não sobrecarregar o pastor com preocupações materiais que poderiam prejudicá-lo ou afastá-lo das tarefas espirituais. Na perspectiva batista, a expressão “adequada e dignamente”, utilizada na Declaração Doutrinária ao falar do sustento dos pastores, dialoga diretamente com essa noção de “dupla honra”: estima, respeito e obediência, acompanhados de apoio concreto.
O ideal e o real: dedicação integral e “fazedores de tendas”
Ao olhar para a prática das igrejas, é preciso reconhecer a tensão entre o ideal e o real. O ideal bíblico e doutrinário, como visto, é que o pastor se dedique integralmente ao ministério da Palavra e viva do Evangelho, sendo sustentado pela igreja. Contudo, em muitos contextos, sobretudo em congregações pequenas e sem muitos recursos, a realidade financeira impõe limites. Nessas situações, não é raro encontrar pastores que, à semelhança do apóstolo Paulo em alguns momentos, tornam-se “fazedores de tendas”, acumulando trabalho secular com o exercício do ministério pastoral.
É importante notar que Paulo, ao trabalhar com suas próprias mãos, não negava a legitimidade do sustento pastoral; ele, ao contrário, afirmava o direito de viver do Evangelho e destacava que renunciava a esse direito em circunstâncias específicas, por motivos missionários e pastorais. A exceção não revoga o princípio (At 18.1–4; 1Co 9.6–15; Fp 4.14–18). Assim, pode acontecer de uma igreja não ter condições de sustentar o pastor integralmente; nesses casos, a solução pode ser um ministério em tempo parcial, um arranjo transitório ou um modelo de “fazedor de tendas”. Porém, o ideal bíblico continua sendo um desafio: quando a igreja amadurece e cresce em mordomia, é chamada a caminhar na direção de libertar seu pastor para dedicação total ao ministério, sempre que isso lhe for possível.
No contexto dos batistas brasileiros, essa tensão também se manifesta. A doutrina permanece — o pregador do Evangelho deve viver do Evangelho —, mas a realidade econômica pode exigir criatividade e paciência. O ponto decisivo é que a igreja não se acomode a um modelo de pastor sobrecarregado e mal sustentado por falta de visão espiritual, quando, na verdade, poderia reorganizar sua realidade financeira e sua mordomia para honrar melhor seu ministro.
Prebenda, benefícios e ausência de vínculo empregatício
Ao falar de sustento pastoral na prática das igrejas batistas, é comum o uso de termos específicos. Em vez de “salário”, utiliza-se normalmente a palavra “prebenda”, ou outros termos adequados, para designar o valor destinado ao sustento do pastor. A escolha do termo não é apenas semântica: procura enfatizar que a relação entre pastor e igreja não é de empregador e empregado, e sim de chamado ministerial reconhecido e sustentado pela comunidade. A prebenda é uma forma de provisão, não um salário no sentido estritamente trabalhista.
Além da prebenda, as igrejas costumam organizar benefícios que expressam cuidado pastoral. Entre eles, podem incluir casa pastoral ou ajuda de aluguel, plano de saúde, auxílio para transporte, apoio à formação teológica contínua, descanso anual (férias), períodos de descanso mais longos (semestre sabático, por exemplo), contribuição para o INSS (Previdência Social) e, em alguns casos, um Fundo de Garantia por Tempo Ministerial (FGTM), inspirado na lógica do FGTS, mas ajustado à realidade eclesial. Tudo isso é decidido conforme a capacidade financeira e a compreensão de mordomia de cada igreja, sempre sob o princípio de que o pastor é um servo de Deus e que a comunidade tem a responsabilidade espiritual de cuidar de seu bem-estar.
Não há vínculo empregatício entre igreja e pastor. Em alguns casos, temos visto pastores formalizando-se como MEI (Microempreendedor Individual), constituindo CNPJ para receberem seus proventos e emitirem nota fiscal para as igrejas. Do ponto de vista jurídico e tributário, essa prática é problemática: a relação pastoral não se enquadra nos requisitos legais de prestação de serviços empresariais, e o uso do MEI para mascarar o sustento ministerial pode configurar irregularidade fiscal e trabalhista, expondo tanto o pastor quanto a igreja a riscos de autuação e de questionamento sobre a natureza do vínculo. A relação entre pastor e igreja é espiritual: Deus chama, a igreja reconhece, examina, consagra e assume o compromisso de sustentar. Ao mesmo tempo, isso não deve ser desculpa para desproteção ou descaso; ao contrário, a autonomia da igreja local e a doutrina da mordomia exigem que a comunidade pense com seriedade e responsabilidade sobre como cuidar de seu pastor e de sua família, evitando tanto a “profissionalização” indevida quanto a negligência.
A responsabilidade denominacional no sustento pastoral
O cuidado com o sustento pastoral não é apenas uma questão de cada igreja local; é também uma responsabilidade das associações e convenções de igrejas batistas. Como expressões de cooperação e comunhão entre as igrejas, esses órgãos têm a oportunidade e o dever de orientar, incentivar e, quando possível, ajudar as congregações a cumprirem sua missão de sustentar dignamente seus obreiros.
Em primeiro lugar, a denominação pode incluir o tema nas revistas e materiais da Escola Bíblica Dominical, de modo que as igrejas sejam ensinadas, de forma sistemática, sobre a base bíblica e doutrinária do sustento pastoral, sobre a doutrina da mordomia e sobre a responsabilidade da igreja para com seus pastores. Da mesma forma, pode abordar a questão em suas redes sociais, revistas e no Jornal Batista, publicando artigos, estudos e testemunhos que ajudem a formar uma cultura de honra e de cuidado ministerial.
Os congressos, encontros regionais e assembleias também são espaços privilegiados para tratar do assunto, seja por meio de palestras específicas, seja em oficinas e grupos de estudo. Nessas ocasiões, é possível apresentar às igrejas padrões sugeridos, como um valor mínimo de prebenda a ser buscado como alvo, sempre levando em conta o contexto regional e o custo de vida local. Esse tipo de orientação não fere a autonomia da igreja, mas cumpre uma função docente e fraternal, indicando caminhos para que as comunidades amadureçam em sua mordomia.
Além disso, associações e convenções podem estabelecer estratégias para ajudar aquelas igrejas que, por limitações financeiras, não têm condições de sustentar dignamente seu obreiro. Isso pode ocorrer por meio de fundos de auxílio, parcerias entre igrejas maiores e menores, programas de apadrinhamento pastoral ou outras formas de cooperação. O objetivo não é substituir a responsabilidade da igreja local, mas fortalecê-la, para que, com o tempo, possa assumir plenamente o sustento de seu pastor.
Dessa forma, a denominação cumpre seu papel de servir às igrejas, não apenas em questões doutrinárias e missionárias, mas também no cuidado prático com o ministério da Palavra. Ao orientar e apoiar as congregações no sustento pastoral, associações e convenções demonstram que levam a sério tanto a Palavra de Deus quanto a Declaração Doutrinária da CBB, que afirma que o pregador do Evangelho deve viver do Evangelho e que às igrejas cabe cuidar e sustentar adequada e dignamente seus pastores.
Reposição da inflação e aumento real
O cuidado material com o pastor também se expressa na forma como a igreja lida com a passagem do tempo e com a economia. Em contextos de inflação, é comum que as igrejas ajustem anualmente o valor da prebenda, buscando preservar seu poder de compra. Essa prática de reposição inflacionária é uma forma concreta de não permitir que o sustento pastoral se desgaste gradualmente, sem que ninguém perceba, por simples efeito da economia. A igreja que entende o sustento como parte da sua mordomia procura, dentro de suas possibilidades, evitar que o pastor absorva sozinho o impacto das variações econômicas.
Algumas igrejas vão além da mera reposição e, conforme a sua saúde financeira e sua visão de honra, oferecem aumento real, seja em forma de reajuste mais generoso, seja ampliando benefícios. De novo, trata-se de aplicar o princípio da “dupla honra” e da liberalidade cristã: a igreja não busca apenas “cumprir tabela”, mas demonstrar, de maneira proporcional às suas condições, que valoriza o ministério da Palavra. Esse tipo de prática torna visível que o sustento pastoral é mais que uma obrigação mínima; é também oportunidade de expressar amor e gratidão.
Amor, respeito, obediência e honra
A relação entre igreja e pastor não se reduz ao aspecto financeiro. A Bíblia insiste que os crentes devem lembrar, respeitar e obedecer aqueles que velam pelas suas almas, considerando a responsabilidade que esses líderes assumem diante de Deus. Textos como Hebreus 13 e 1 Tessalonicenses 5 convocam a congregação a estimar muito os que presidem, admoestam e ensinam, por causa da obra que desempenham. Em outras palavras, o pastor, quando exerce fielmente seu chamado, é digno de amor, respeito, obediência e honra.
Na doutrina batista, o pastor é visto como servo de Deus, chamado para proclamar as Boas-Novas aos perdidos e apascentar os salvos, sempre sujeito à autoridade suprema das Escrituras. Ele não é mediador da salvação, nem figura acima da igreja, mas servo da Palavra e do rebanho. Por isso, a honra devida ao pastor não é culto à personalidade, e sim reconhecimento de que Deus o usa como instrumento para edificar os salvos. Amar o pastor, respeitá-lo, ouvir sua orientação e apoiá-lo é parte da resposta da igreja ao próprio Deus que o chamou.
Discernimento: bons pastores e “mercenários”
Ao mesmo tempo em que a Bíblia ordena honrar e sustentar o pastor, ela nos instrui ao discernimento. Há líderes que se mostram fiéis, que conservam a sã doutrina e vivem de maneira coerente com o Evangelho, e há outros que se revelam “mercenários”, preocupados mais com benefício pessoal do que com o cuidado do rebanho; pensam mais na lã do que nas ovelhas (Ez 34.2–3; Jo 10.12–13). O exemplo para o pastor é Cristo, o Bom Pastor, que dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11, 14–15), enquanto os mercenários, diante do perigo, fogem (Jo 10.12). Tanto o Senhor quanto Paulo alertam contra falsos mestres e lobos que se infiltram entre o povo de Deus (Mt 7.15–16; At 20.28–30), e as cartas pastorais descrevem em detalhes as qualificações necessárias para o presbítero (1Tm 3.1–7; Tt 1.5–9).
Doutrinariamente falando, na perspectiva dos batistas, a igreja local é autônoma, mas não autossuficiente; ela deve submeter tudo à Palavra de Deus e observar a Declaração Doutrinária da CBB, da qual é signatária. Isso significa que a mesma congregação que honra e sustenta seus pastores tem o dever de examinar sua vocação, doutrina e vida antes da consagração, e de praticar a disciplina quando um pastor se afasta da fé ou se torna motivo de escândalo (1Tm 5.19–20; Tt 3.10–11). Sustento, respeito e obediência não podem ser dados de forma acrítica, como se o título garantisse fidelidade automática. A honra é devida ao pastor que governa bem, se dedica à Palavra e vive de acordo com o Evangelho (1Tm 5.17; Hb 13.17); ao falso pastor ou ao mercenário, a igreja deve oferecer correção e, se necessário, afastamento, protegendo o rebanho (At 20.29–31; 1Jo 4.1).
Conclusão
A questão do sustento pastoral, à luz da Bíblia e da Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, revela-se muito mais profunda do que um simples arranjo financeiro. Ela envolve a compreensão que a igreja tem de seu próprio chamado, de sua mordomia e de sua responsabilidade diante de Deus. Sustentar adequadamente o ministro da Palavra é reconhecer que o Evangelho não é uma mensagem abstrata, mas que exige pessoas chamadas, preparadas e dedicadas, que precisam de condições para exercer seu serviço com liberdade e foco.
Para as igrejas batistas, o desafio é viver essa responsabilidade com equilíbrio: afirmar o ideal bíblico de que o ministro do Evangelho deve viver do Evangelho, organizar prebenda e benefícios com sabedoria e amor, cuidar da reposição inflacionária e do bem-estar do pastor, e, ao mesmo tempo, cultivar discernimento, disciplina e fidelidade às Escrituras. Honrar pastores fiéis, sustentá-los e separar bons líderes dos mercenários não são tarefas secundárias, mas parte da própria vocação da igreja de ser comunidade da Palavra, que glorifica a Deus também na maneira como cuida de seus obreiros.
Fontes de Pesquisas:
- Declaração Doutrinária da Convenção Batista, disponível em: https://convencaobatista.com.br/site/pagina.php?MEN_ID=22
- Bíblia Sagrada, versão Almeida Corrigida Fiel



