“Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14)
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Certa ocasião, o saudoso pastor Isaltino Gomes Coelho Filho compartilhou que, em um retiro, fora questionado sobre sua maior frustração após mais de quarenta anos de ministério. Ele respondeu que sua maior tristeza era “ter que preparar mamadeiras para crianças que nunca cresceram espiritualmente”. Acrescentou que grande parte do tempo e das energias de um pastor — e da própria igreja — é consumida no cuidado de pessoas que se recusam a amadurecer na fé.
Essa percepção ecoa no coração de muitos obreiros. Preparam-se estudos, sermões e aconselhamentos; investe-se tempo precioso em oração e dedicação à exposição da Palavra. Contudo, nota-se que poucos absorvem o ensino e menos ainda aplicam o que ouvem. Soma-se a isso a negligência na busca pessoal pelo conhecimento bíblico e uma preferência crônica por um alimento “pronto”, superficial e de fácil digestão.
Em nossos dias, há ainda um agravante: o vasto e perigoso “cardápio” das redes sociais. Multiplicam-se vozes — autodenominados apóstolos, profetas e pregadores midiáticos — que transformam o Evangelho em produto de consumo. Torna-se mais atraente a mensagem que massageia o ego e promete prosperidade imediata do que a pregação fiel que confronta o pecado e convoca à santidade. Paulo já advertia que viria o tempo em que muitos não suportariam a sã doutrina (2 Timóteo 4:3-4). Como no tempo de Jesus, ainda há quem considere “duro” o ensino verdadeiro (João 6:60).
Recentemente, presenciei um evento onde a mensagem era vazia de conteúdo bíblico. O pregador, sem sequer abrir a Bíblia, interpretou um texto projetado de forma isolada, sem qualquer compromisso com o contexto. Eram meras opiniões revestidas de uma falsa autoridade espiritual. O que mais causou espanto, porém, não foi a fragilidade da mensagem, mas os elogios entusiasmados ao final. Aquela reação revelava ouvintes sem discernimento e crentes sem senso crítico, facilmente conduzidos por qualquer novidade religiosa.
O problema não é novo. Ao escrever aos coríntios, o apóstolo Paulo afirmou que não podia falar-lhes como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo (1 Coríntios 3:1-3). Recebiam leite, e não alimento sólido, por incapacidade de digestão espiritual. Aos efésios, ele aponta o alvo de Deus: o crescimento até a medida da estatura completa de Cristo (Efésios 4:13-15). A infantilidade produz instabilidade; a maturidade, firmeza.
A ausência de fundamento torna o crente vulnerável. Sem o exame das Escrituras, a fé se apoia em emoções flutuantes e não na rocha imutável da Palavra. Pais que desconhecem as Letras Sagradas não conseguem instruir seus filhos (Deuteronômio 6:6-7), deixando o lar exposto a ideologias contrárias ao Reino. No contexto da igreja, a imaturidade gera divisões e contendas, abre espaço para heresias e sustenta lideranças despreparadas. Igrejas fortes são edificadas por crentes firmes na doutrina.
Como, então, o rebanho pode cooperar para a alegria de seu pastor? Demonstrando sede genuína pela Verdade, praticando o que aprende e assumindo responsabilidade espiritual. O crente que estuda, ora e serve com fidelidade permite que o ministério pastoral seja exercido com prazer, e não com pesar (Hebreus 13:17).
Cada salvo tem o dever de buscar seu amadurecimento, cultivando um “espírito bereano”. Isso exige vida devocional, compromisso com a Escola Bíblica, assiduidade aos cultos e uma atenção reverente à exposição bíblica. Não devemos consumir qualquer conteúdo apenas por ostentar o selo de “cristão”. Assim como zelamos pela saúde do corpo, devemos zelar pela saúde da alma, buscando alimento sólido e cristocêntrico.
Crescer não é opcional; é evidência de vida. O amadurecimento glorifica a Deus, fortalece o corpo de Cristo e capacita o crente a amparar os mais fracos. Uma igreja madura é o maior testemunho do poder transformador do Evangelho, e também a alegria do pastor fiel.
Oração:
Pai amado, agradecemos pela Tua Palavra, lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho. Concede-nos fome sincera das Escrituras, discernimento para rejeitar o erro e um coração humilde para obedecer à Verdade. Ajuda-nos a crescer na graça e no conhecimento de Cristo, para Tua glória e edificação da Tua igreja. Oramos em nome de Jesus. Amém.
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Bíblia Sagrada ACF, Letra Grande, Capa luxo marrom, Leitura Perfeita






